A&P Arquitetura | Ficha técnica – Requalificação do antigo Cine Teatro Glória em Cachoeira , incorporado a UFRB

Ficha técnica – Requalificação do antigo Cine Teatro Glória em Cachoeira , incorporado a UFRB

local Praça Teixeira de Freitas, nº 2, Cachoeira/BA

projeto 2008 – 2010

execução 2010 – 2011

autoria Alexandre Prisco

colaboradores André Souza, Vinícius Bustani, Lara Vieira e Maima Adami

projetos complementares Eduardo Fucs e Carlos Alberto Vieira (especialista em obras);

Gabriel Gonçalves (especialista em planejamento); Leílson Rezende e Ricardo Melo (estrutura);

Doto Engenharia (instalações prediais);

Sonar Engenharia (acústica e sonorização);

Cenarium (iluminação cênica e cenotecnia);

Msa ar-condicionado e refrigeração (climatização)

área de intervenção 788m²

fotografias André Souza

Desenvolvido no Núcleo de Projetos da UEP, Unidade Executora de Projeto, do Programa Monumenta

 

O imóvel à Praça Teixeira de Freitas, Nº 02 é um exemplar de arquitetura civil do início do século XX, não possuindo tombamento individual. Sofreu algumas intervenções ao longo do século passado, sendo a principal, a realizada na fachada principal. Alternando períodos de atividades, particularmente a partir da década de 80, em 1990 foi definitivamente fechado, o que contribuiu e intensificou o seu processo de degradação até os dias atuais, onde o processo de arruinamento está avançado.

Ao elaborar o projeto de Requalificação do Cine-teatro Glória em Cachoeira para o novo Cine-Teatro da cidade, procurou-se, em todo momento, considerar a dualidade entre o restauro de um bem de valores histórico e arquitetônico, assim como a necessária adaptação a um novo uso. Para tanto, se considerou apropriado que se fossem abordados quatro questões: a componente histórica do edifício; as atribuições e atividades estabelecidas para ocupar o imóvel, através do programa de uso e necessidades; a abordagem estrutural estabelecida pela situação da estrutura encontrada e seu estado de conservação e pelas possibilidades tecnológicas disponíveis; e a componente arquitetônica, através da tipologia da construção e do lote.

Dentro da variável arquitetônica do edifício, a intervenção arquitetônica procura uma reorganização espacial interna que mantém a volumetria e promove pequenas alterações de fachada. Sua planta é simples, onde a espacialidade é definida por quatro elementos: o corpo de entrada, claramente delimitado por uma parede estrutural com funções sociais (térreo) e técnicas (andar superior); o espaço intermediário, onde se resolve a questão dos acessos, seja para o nível térreo, seja para o andar superior; a caixa principal com o espaço cênico que norteia os demais espaços, onde as apresentações e atividades principais ocorrem; e o anexo situado ao fundo da caixa principal abrigando as atividades de suporte e apoio. Todos os espaços são distribuídos em dois níveis numa planta que obedece o formato do lote e ocupa por inteiro.

O projeto procura manter a lógica espacial do edifício antigo. Ocorre a preservação da generosa espacialidade do espaço cênico – com sua largura, profundidade e altura – precedida por um espaço de transição para a rua. Outra importante característica mantida em sua essência é a presença do chamado Balcão, uma estrutura suspensa cuja linguagem transparece leveza, e a idéia de ser anexada à caixa muraria, mais sólida. Entretanto, modificações no espaço encontrado foram necessárias, seja pela diferenciação do uso com a incorporação de um teatro múltiplo e da faculdade, seja pelas novas normas de segurança e circulação, seja pelos novos recursos tecnológicos disponíveis atualmente.

 

 

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