A&P Arquitetura | Ficha técnica – Requalificação da Praça Irmã Dulce e Construção do Centro de Serviço

Ficha técnica – Requalificação da Praça Irmã Dulce e Construção do Centro de Serviço

local Península de Itapagipe, Salvador/BA
projeto 2011

autoria Alexandre Prisco e Nivaldo Andrade

colaboradores Annamaria Binazzi, Akemi Tahara, Karla Benevides, Gabriela de Freitas, André Nóbrega, Ana Lina Mendes, Fábio Steque, Felipe Amorim, Lucas Paes e Roberta Esteves, Alberto Santana, Manuel Sá e Saulo Coelho, Joaquim de Oliveira, Vinícius Bustani e Emy Nishimoto

área de intervenção 31.270m²

área construída do centro de serviços 21.826,04 m²

foto aérea Roberto Costa Pinto

9ª Bienal Internacional de Arquitetura São Paulo – Exposição Geral de Projetos

 

 

 

 

A beatificação de Irmã Dulce, o “Anjo Bom da Bahia”, no mês de maio 2011, intensificou consideravelmente o fluxo de fiéis ao seu santuário, um gigantesco cinema dos anos 1950 recentemente recuperado e localizado na Península de Itapagipe, a 1 km da famosa Igreja do Bonfim. O projeto da Praça Irmã Dulce – antigo Largo de Roma – e do centro de serviços vizinho tem como objetivo atender às diversas demandas geradas por essa ampliação da afluência de fiéis, com as especificidades de se tratar de uma zona urbana já consolidada.

Para permitir a ligação direta entre a Praça Irmã Dulce, o santuário e o centro de serviços – onde desembarcarão os fiéis que chegarem ao local em ônibus turísticos e onde estará toda a infraestrutura de apoio ao visitante –, será realizada uma alteração no sistema viário do entorno, eliminando o caráter que a Praça Irmã Dulce atualmente possui de principal nó de tráfego da Península de Itapagipe. Através do alargamento de uma rua existente 100 metros a sudeste da praça e da abertura de uma nova via 200 metros a noroeste, será possível criar um espaço contínuo de uso exclusivo dos pedestres entre estes três polos: o centro de serviços, a Praça Irmã Dulce e o seu santuário.

 

PRAÇA IRMÃ DULCE

A Praça Irmã Dulce deverá abrigar um espaço ao ar livre onde serão realizadas as missas campais nas datas comemorativas em que o número de fiéis suplantará consideravelmente a capacidade do antigo cinema. A Praça é densamente arborizada; o setor onde a vegetação é mais rarefeita e que abriga espécies de menor porte é justamente aquele que se localiza em frente à entrada principal do santuário. Neste trecho, uma laje de concreto de planta semi-elíptica, suavemente inclinada e revestida por gramíneas, servirá, no dia a dia, de espaço de lazer para as crianças e jovens da Península de Itapagipe e, nas datas comemorativas, poderá abrigar missas campais, com capacidade para 15 a 20 mil fiéis. As árvores de maior porte existentes neste trecho serão preservadas através de aberturas circulares na laje, garantindo a sombra em alguns trechos da plateia. O espaço criado sob parte dessa laje abrigará sanitários de apoio aos usuários da praça e um espaço multiuso, que pode ser usado pela comunidade para reuniões e eventos e, nos dias em que venham a ocorrer as missas campais ou em que haja intensa presença de fiéis, poderá abrigar outras atividades vinculadas, como venda de artigos religiosos. A iluminação e exaustão desse espaço semienterrado será ampliada através de claraboias cilíndricas de concreto que, ao aflorarem na praça inclinada, servirão de bancos para os fiéis. O acesso à parte mais elevada da laje inclinada se dará também através de duas escadas que conectam diretamente ao nível do solo. O restante do espaço da Praça Irmã Dulce será tratado paisagisticamente, com a criação de espaços de permanência e de percursos ligando a praça ao centro de serviços, e receberá mobiliário urbano adequado. A pequena estrutura de concreto existente, de planta circular e com uma elegante marquise em balanço, será transformada em posto da guarda municipal.

 

CENTRO DE SERVIÇOS

O lugar que outrora abrigou um terminal de bondes e atualmente é parcialmente utilizado pela Prefeitura passará a abrigar um terminal de ônibus turísticos, um estacionamento para automóveis e um centro comercial voltado não apenas aos visitantes do santuário, mas a toda a população da Península de Itapagipe, carente desse tipo de equipamento.

A altura do novo edifício foi condicionada pela necessidade de afirmar o Santuário de Irmã Dulce como o protagonista deste sítio urbano e ele se organiza em dois blocos, separados por uma fenda onde se localizam uma rua interna, no nível do térreo, e patamares de conexão horizontal e vertical intercalados por vazios, nos nível superiores. O primeiro bloco abriga, no pavimento térreo, o terminal de ônibus, com capacidade inicial para 18 veículos, e o acesso de serviço ao centro comercial; no primeiro pavimento, abriga três grandes espaços comerciais, enquanto o segundo pavimento é ocupado por 30 salas comerciais.

A estrutura desse bloco permite vãos de até 20,00 m e possibilita uma mudança futura na configuração da estação para aumentar a sua capacidade de operação com a criação de um estacionamento periférico de ônibus, a apenas duas quadras, e a transformação do terminal em estação de embarque e desembarque. Essa modulação estrutural também permite a ocupação, no primeiro pavimento, de grandes lojas de departamentos, cinemas e parque de diversões cobertos. O segundo bloco abriga, no pavimento semi-enterrado, um estacionamento para automóveis com 108 vagas; no térreo e no primeiro pavimento, estão 41 lojas de médio e pequeno porte; e no segundo pavimento, uma praça de alimentação com vista para o mar, formada por seis restaurantes. Para chegar à Praça Irmã Dulce, o usuário passa obrigatoriamente por uma praça coberta, que se apropria da vegetação atualmente existente neste trecho do terreno. Este espaço público é tratado como uma sucessão de amplos patamares em diferentes cotas. A estrutura que sustenta a cobertura neste trecho da edificação é formada por pilares-árvore que dialogam com a arborização preservada.

 

 

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